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Grupo Parlamentar
PROJETO DE RESOLUÇÃO Nº 1335/XIV/2ª
PELA DESLOCALIZAÇÃO DA UNIDADE INDUSTRIAL DE MASSAS
BETUMINOSAS SITUADA JUNTO AO BAIRRO DE SÃO FRANCISCO, EM
CAMARATE, LOURES
Os moradores do bairro de São Francisco, em Camarate, no concelho de Loures, são há
anos afetados por poeiras, fortes odores a alcatrão e ruído excessivo provocados pela
unidade industrial da empresa Alves Ribeiro SA destinada ao fabrico de massas
betuminosas. A Associação de Moradores do Bairro de São Francisco denuncia há anos
esta situação que afeta a qualidade de vida e a saúde dos moradores.
A unidade industrial opera há mais de 30 anos na Quinta do Gradil, a menos de 200
metros de alguns dos edifícios residenciais. A operação da unidade industrial impede os
moradores de atos simples como abrir as janelas das suas casas. De acordo com vários
relatos, regista-se uma prevalência considerável de doenças respiratórias na zona. Cabe
ao Governo desencadear a realização de um estudo epidemiológico para averiguar a
situação.
Amostras recolhidas pelo Centro de Ciências e Tecnologias Nucleares do Instituto
Superior Técnico, entre fevereiro de 2020 e janeiro de 2021, junto à escola básica n.º 5
de Camarate, no bairro de São Francisco, revelaram que o valor limite diário de
exposição a partículas em suspensão no ar foi excedido uma vez, e que o valor médio das
54 medições efetuadas não excedeu o valor limite anual.
No entanto, o relatório do instituto revela que “ dado o reduzido número de amostras, as
comparações com os valores limite são meramente indicativos ”. Além disso, a análise
apenas incidiu sobre a concentração de partículas de índice 10, deixando fora da
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amostragem partículas de menores dimensões (índice 2,5). Os níveis de ruído e os
elementos que provocam fortes odores também não foram alvo de análise.
As emissões provocadas pela laboração da unidade industrial obrigaram a empresa a
apresentar, em dezembro de 2016, um plano de minimização de emissões difusas e a
concretizar as respetivas medidas. A informação foi confirmada pela resposta do
Governo à Pergunta 3611/XIII/2 do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda, em junho
de 2017. No entanto, os moradores continuam a ser afetados por poeiras, por fortes
cheiros a alcatrão e ruído excessivo.
O Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda entende que a laboração da unidade
industrial de massas betuminosas em Camarate é incompatível com a garantia da
qualidade de vida e a saúde da população do bairro de São Francisco. Como tal, para
corrigir este erro de ordenamento do território que se arrasta há décadas, o Governo,
em articulação com as autarquias locais e a empresa Alves Ribeiro SA, deve tomar as
diligências necessárias para deslocalizar a instalação industrial para um local adequado,
sem que os postos de trabalho afetos à laboração da unidade sejam postos em causa.
Enquanto a instalação industrial não é deslocalizada, o operador deve rever as medidas
de minimização de emissões que aplicou, adaptando-as para que produzam resultados
comprovadamente positivos. O operador deve também tomar medidas para reduzir os
níveis de ruído e adotar boas práticas de gestão para a eliminação de compostos
odoríferos, conforme previsto no Decreto-Lei n.º 39/2018, de 11 de junho, que
estabelece o regime da prevenção e controlo das emissões de poluentes para o ar.
Ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar
do Bloco de Esquerda propõe que a Assembleia da República recomende ao Governo que:
1. Tome diligências, em articulação com as autarquias locais e a empresa Alves Ribeiro
SA, no sentido de alcançar uma solução de deslocalização da unidade industrial de
massas betuminosas para um novo local, sem que essa solução coloque em risco os
postos de trabalho afetos à unidade industrial;
2. Determine, com caráter de urgência, a concretização, por parte da empresa Alves
Ribeiro SA, de ações que comprovadamente minimizem as emissões de poeiras, de
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odores e de ruído provocadas pela unidade industrial de massas betuminosas,
enquanto a unidade industrial não é deslocalizada;
3. Efetue, a nível nacional, um levantamento das unidades industriais cuja localização e
atividade não garante a proteção das populações, tomando as medidas necessárias
para corrigir os erros de ordenamento do território encontrados.
Assembleia da República, 11 de junho de 2021.
As Deputadas e os Deputados do Bloco de Esquerda,
Fabian Figueiredo; Jorge Costa; Mariana Mortágua; Alexandra Vieira; Beatriz Dias;
Diana Santos; Fabíola Cardoso; Isabel Pires; Joana Mortágua; João Vasconcelos;
José Manuel Pureza; José Maria Cardoso; José Soeiro; Luís Monteiro; Maria Manuel Rola;
Moisés Ferreira; Nelson Peralta; Ricardo Vicente; Catarina Martins
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Publicação — DAR II série A — 90-91 — 11/06/2021
II SÉRIE-A — NÚMERO 150
PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 1335/XIV/2.ª
PELA DESLOCALIZAÇÃO DA UNIDADE INDUSTRIAL DE MASSAS BETUMINOSAS SITUADA JUNTO
AO BAIRRO DE SÃO FRANCISCO, EM CAMARATE, LOURES
Os moradores do Bairro de São Francisco, em Camarate, no concelho de Loures, são há anos afetados por
poeiras, fortes odores a alcatrão e ruído excessivo provocados pela unidade industrial da empresa Alves Ribeiro
S.A. destinada ao fabrico de massas betuminosas. A Associação de Moradores do Bairro de São Francisco
denuncia há anos esta situação que afeta a qualidade de vida e a saúde dos moradores.
A unidade industrial opera há mais de 30 anos na Quinta do Gradil, a menos de 200 metros de alguns dos
edifícios residenciais. A operação da unidade industrial impede os moradores de atos simples como abrir as
janelas das suas casas. De acordo com vários relatos, regista-se uma prevalência considerável de doenças
respiratórias na zona. Cabe ao Governo desencadear a realização de um estudo epidemiológico para averiguar
a situação.
Amostras recolhidas pelo Centro de Ciências e Tecnologias Nucleares do Instituto Superior Técnico, entre
fevereiro de 2020 e janeiro de 2021, junto à Escola Básica n.º 5 de Camarate, no Bairro de São Francisco,
revelaram que o valor limite diário de exposição a partículas em suspensão no ar foi excedido uma vez, e que o
valor médio das 54 medições efetuadas não excedeu o valor limite anual.
No entanto, o relatório do instituto revela que «dado o reduzido número de amostras, as comparações com
os valores limite são meramente indicativos». Além disso, a análise apenas incidiu sobre a concentração de
partículas de índice 10, deixando fora da amostragem partículas de menores dimensões (índice 2,5). Os níveis
de ruído e os elementos que provocam fortes odores também não foram alvo de análise.
As emissões provocadas pela laboração da unidade industrial obrigaram a empresa a apresentar, em
dezembro de 2016, um plano de minimização de emissões difusas e a concretizar as respetivas medidas. A
informação foi confirmada pela resposta do Governo à Pergunta n.º 3611/XIII/2.ª do Grupo Parlamentar do Bloco
de Esquerda, em junho de 2017. No entanto, os moradores continuam a ser afetados por poeiras, por fortes
cheiros a alcatrão e ruído excessivo.
O Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda entende que a laboração da unidade industrial de massas
betuminosas em Camarate é incompatível com a garantia da qualidade de vida e a saúde da população do
Bairro de São Francisco. Como tal, para corrigir este erro de ordenamento do território que se arrasta há
décadas, o Governo, em articulação com as autarquias locais e a empresa Alves Ribeiro S.A., deve tomar as
diligências necessárias para deslocalizar a instalação industrial para um local adequado, sem que os postos de
trabalho afetos à laboração da unidade sejam postos em causa.
Enquanto a instalação industrial não é deslocalizada, o operador deve rever as medidas de minimização de
emissões que aplicou, adaptando-as para que produzam resultados comprovadamente positivos. O operador
deve também tomar medidas para reduzir os níveis de ruído e adotar boas práticas de gestão para a eliminação
de compostos odoríferos, conforme previsto no Decreto-Lei n.º 39/2018, de 11 de junho, que estabelece o regime
da prevenção e controlo das emissões de poluentes para o ar.
Ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Bloco de
Esquerda propõe que a Assembleia da República recomende ao Governo que:
1 – Tome diligências, em articulação com as autarquias locais e a empresa Alves Ribeiro S.A., no sentido de
alcançar uma solução de deslocalização da unidade industrial de massas betuminosas para um novo local, sem
que essa solução coloque em risco os postos de trabalho afetos à unidade industrial;
2 – Determine, com caráter de urgência, a concretização, por parte da empresa Alves Ribeiro S.A., de ações
que comprovadamente minimizem as emissões de poeiras, de odores e de ruído provocadas pela unidade
industrial de massas betuminosas, enquanto a unidade industrial não é deslocalizada;
3 – Efetue, a nível nacional, um levantamento das unidades industriais cuja localização e atividade não
garante a proteção das populações, tomando as medidas necessárias para corrigir os erros de ordenamento do
território encontrados.
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Votação na generalidade — DAR I série — 39-39 — 16/10/2021
16 DE OUTUBRO DE 2021
O Sr. Presidente: — Sr.ª Deputada, tem a palavra.
A Sr.ª Bebiana Cunha (PAN): — Sr. Presidente, queria apenas informar que apresentaremos uma declaração de voto.
O Sr. Presidente: — Fica registado, Sr.ª Deputada. Procedemos, agora, à votação, na generalidade, do Projeto de Lei n.º 968/XIV/3.ª (PAN) — Alarga os
prazos de prescrição de crimes contra a liberdade e autodeterminação sexual de menores e do crime de
mutilação genital feminina, procedendo à quinquagésima quarta alteração do Código Penal.
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do BE, do CDS-PP, do PAN, do CH, do IL e da
Deputada não inscrita Cristina Rodrigues, votos contra do PCP, do PEV, da Deputada não inscrita Joacine
Katar Moreira e dos Deputados do PS Bruno Aragão, Cláudia Santos, Filipe Neto Brandão, Isabel Alves
Moreira, Joana Sá Pereira, Jorge Lacão, Marcos Perestrello e Sérgio Sousa Pinto e abstenções do PS e do
PSD.
Este diploma baixa à 1.ª Comissão.
Srs. Deputados, vamos votar o Orçamento da Assembleia da República para 2022.
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PS, do PSD, do BE, do PCP, do CDS-PP, do
PAN, do PEV, do CH e das Deputadas não inscritas Cristina Rodrigues e Joacine Katar Moreira e a abstenção
do IL.
Pelo menos, já temos um orçamento aprovado.
Risos do BE, do PCP e de Deputados do PSD.
Vamos votar o Projeto de Resolução n.º 1201/XIV/2.ª (PAN) — Recomenda ao Governo português que
proceda à realização de estudos epidemiológicos e ambientais para averiguar o impacto da produção da Alves
Ribeiro de Loures.
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PSD, do BE, do PCP, do CDS-PP, do PAN, do
PEV, do CH, do IL e das Deputadas não inscritas Cristina Rodrigues e Joacine Katar Moreira e a abstenção do
PS.
Este projeto de resolução baixa à 11.ª Comissão.
Vamos votar o Projeto de Resolução n.º 1335/XIV/2.ª (BE) — Pela deslocalização da unidade industrial de
massas betuminosas situada junto ao bairro de São Francisco, em Camarate, Loures.
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD, do CDS-PP e do CH, votos a favor do BE, do
PCP, do PAN, do PEV e das Deputadas não inscritas Cristina Rodrigues e Joacine Katar Moreira e
abstenções do PS e do IL.
O Sr. Deputado Nuno Fazenda está a pedir a palavra. É para que efeito?
O Sr. Nuno Fazenda (PS): — Sr. Presidente, é para informar que o Grupo Parlamentar do Partido Socialista apresentará uma declaração de voto sobre estas duas últimas votações.
O Sr. Presidente: — Vamos votar, na generalidade, o Projeto de Resolução n.º 1299/XIV/2.ª (BE) — Pela preservação do património natural, histórico e cultural do bairro da Petrogal em Loures.
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