Assembleia da República - Palácio de S. Bento - 1249-068 Lisboa - Telefone: 21 391 7592 - Fax: 21 391 7459
Email: bloco.esquerda@be.parlamento.pt - http://parlamento.bloco.org/ 1
Grupo Parlamentar
PROJETO DE RESOLUÇÃO Nº 1318/XIV/2ª
PELA PRESERVAÇÃO E DEFESA DA TAPADA DAS NECESSIDADES COMO
ESPAÇO PÚBLICO
A Tapada das Necessidades, localizada na freguesia da Estrela, em Lisboa, é um espaço
classificado de Interesse Público desde 1983, cujos 10 hectares são propriedade do
Estado e são compostos por população arbórea extensa e rara, bem como por edifícios
com valor histórico e patrimonial. Tendo passado por várias transformações ao longo
dos anos, tem, hoje, uma função importante de espaço verde e convívio.
Em 2008, foi assinado um protocolo entre o então Ministério da Agricultura, do
Desenvolvimento Rural e das Pescas e a Câmara Municipal de Lisboa, que transferiu a
“gestão, reabilitação, manutenção e utilização" da Tapada para a autarquia. No entanto,
durante mais de uma década, a requalificação da Tapada das Necessidades não
aconteceu, mantendo-se o abandono dos edifícios.
A Câmara Municipal de Lisboa, ao invés de cumprir o estipulado no protocolo, avançou,
em 2019, para a concessão do espaço a privados e aprovou um plano de requalificação
da Tapada que implicará demolições de parte do antigo Jardim Zoológico.
Já em 2021, o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa anunciou que as intervenções
estarão sujeitas a um Plano de Salvaguarda da Tapada que estará terminado em outubro
do presente ano, mas nada adiantou sobre a concessão a privados.
O plano aprovado para a transformação da Tapada das Necessidades prevê a
requalificação do jardim e da Tapada, mas também a concessão de vários espaços para
estabelecimentos de restauração que serão geridos pela Banana Café Emporium, que
Assembleia da República - Palácio de S. Bento - 1249-068 Lisboa - Telefone: 21 391 7592 - Fax: 21 391 7459
Email: bloco.esquerda@be.parlamento.pt - http://parlamento.bloco.org/ 2
ganhou o concurso em 2016. Esta empresa comprometeu-se a investir cinco milhões de
euros no espaço e a realizar a reabilitação do mesmo. Ao contrário do que mandam as
regras da transparência, o contrato de concessão entre a Câmara Municipal de Lisboa e a
empresa Banana Café Emporium não é público.
O projeto de requalificação da Tapada das Necessidades e o a concessão do espaço
público a privados foi contestada pela população de Lisboa que se mobilizou,
apresentando uma petição que ultrapassou as 10 mil assinaturas. A população considera
que não foi ouvida pela Câmara de Lisboa e opõe-se ao acesso a carros, às demolições
que estão previstas no plano de requalificação e à construção de edifícios dentro da
Tapada.
Fica patente que a CML não cumpriu o acordado no protocolo com o Ministério da
Agricultura, que, pela falta de investimento, contribuiu para a degradação da Tapada das
Necessidades, e que pretende avançar com uma concessão do espaço a privados que
atenta contra o património único do local, contra o espaço público de usufruto livre e
contra o Direito à Cidade.
A preservação e defesa de espaços como o da Tapada das Necessidades nas nossas
cidades é fundamental de ser garantida, bem como é fundamental garantir que os e as
cidadãs são ouvidas nestes processos. Como agravante neste caso, os protocolos
existentes com o Estado não foram cumpridos, pelo que se considera que o interesse
público deve ser salvaguardado.
Ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar
do Bloco de Esquerda propõe que a Assembleia da República recomende ao Governo que:
1. Revogue o protocolo entre a Câmara Municipal de Lisboa e o Ministério da
Agricultura, considerando o reiterado incumprimento do mesmo, pela salvaguarda
do interesse público e cumprimento do regime de proteção das matas nacionais.
2. Inste a Câmara Municipal de Lisboa a suspender a concessão a privados da Tapada
das Necessidades, tendo em conta o superior interesse público do espaço.
3. Proceda a um processo de auscultação e participação pública, que inclua autarcas,
munícipes e demais entidades competentes, sobre o futuro do espaço.
Assembleia da República - Palácio de S. Bento - 1249-068 Lisboa - Telefone: 21 391 7592 - Fax: 21 391 7459
Email: bloco.esquerda@be.parlamento.pt - http://parlamento.bloco.org/ 3
Assembleia da República, 2 de junho de 2021.
As Deputadas e os Deputados do Bloco de Esquerda,
Beatriz Dias; Isabel Pires; Jorge Costa; Mariana Mortágua; Alexandra Vieira;
Diana Santos; Fabian Figueiredo; Fabíola Cardoso; Joana Mortágua; João Vasconcelos;
José Manuel Pureza; José Maria Cardoso; José Soeiro; Luís Monteiro; Maria Manuel Rola;
Moisés Ferreira; Nelson Peralta; Ricardo Vicente; Catarina Martins
---
Publicação — DAR II série A — 78-79 — 04/06/2021
II SÉRIE-A — NÚMERO 146 78
votação do PSD será de abstenção quanto ao PJR em causa, devido à obrigatoriedade de votação da
transferência.
A Sr.ª Deputada Cecília Meireles (CDS-PP) relembrou que, aquando da votação do OE, o CDS-PP optou
pela abstenção em relação à proposta do BE devido à necessidade de cumprimento do contrato. Assinalou que
o não cumprimento levará a uma decisão judicial de imposição do cumprimento do contrato acrescido de multa,
o que significaria um acréscimo de encargos. Referiu ser necessária uma explicação quanto ao cumprimento do
contrato pela outra parte, dado o apuramento pelo Tribunal de Contas (TC) de pelo menos dois incumprimentos
contratuais. Concluiu, dizendo que o voto do CDS-PP será consequente com o voto em sede de OE, mantendo-
se a principal preocupação de cumprimento do contrato, tanto da parte do Estado português, como da parte do
NB.
O Sr. Deputado João Cotrim de Figueiredo (IL) relembrou o seu voto contra a proposta do BE de retirar do
OE os valores de transferência do FdR para o NB, voto este que justificou pela necessidade de cumprimento do
contrato e pela proposta poder consubstanciar uma influência do poder legislativo sobre o executivo. Apontou
ainda a deterioração da reputação do Estado português e da República, que conduziram à imposição de
cláusulas e condições mais gravosas pela Comissão Europeia e pela Direção-Geral da Concorrência. Concluiu
que não seria de acompanhar iniciativas como a apresentada pelo BE, tendo em conta, para além dos motivos
acima elencados, os custos financeiros resultantes da não transferência e do atraso no pagamento. Acrescentou
ser importante escrutinar e explicar a conclusão do TC de que não foi possível aferir a verificação das contas
que anualmente são realizadas para calcular a injeção de capital no NB, sendo essa função, a função de
escrutínio, central do Parlamento.
Não havendo mais pedidos de palavra, o Sr. Presidente devolveu a palavra à proponente do PJR em
discussão.
A Sr.ª Deputada Mariana Mortágua (BE) respondeu, dirigindo-se ao PS, que o BE nunca alterou a sua posição
e sempre considerou que o FdR é pago com dinheiro público. Referiu que a votação em sede da aprovação do
OE foi bastante clara para todos os partidos, uma vez que, quando se retira uma verba de uma rubrica, retira-
se também a autorização para a realização desse gasto, resultando assim na obrigação de o Governo elaborar
um orçamento retificativo para realizar a referida despesa, o que implica a sua discussão e votação. Acrescentou
ainda que o objetivo da proposta apresentada não é esclarecer a anterior proposta aprovada, mas sim obrigar
o Governo a cumprir a mesma. Concluiu que, se a verba não está inscrita no OE, a transferência terá de ser
discutida e votada, o que não significa o não cumprimento do contrato.
O Sr. Presidente deu por concluída a discussão do PJR 1265/XIV/2.ª (BE), afirmando que o mesmo seria
remetido para Plenário, para votação.
4 – Apreciado e discutido o projeto de resolução na reunião da COF, nos termos referidos supra, remete-se
esta informação a Sua Excelência o Presidente da Assembleia da República, para votação, nos termos e para
os efeitos do disposto no artigo 128.º do Regimento da Assembleia da República.
Assembleia da República, em 26 de maio de 2021.
O Presidente da Comissão, Filipe Neto Brandão.
———
PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 1318/XIV/2.ª
PELA PRESERVAÇÃO E DEFESA DA TAPADA DAS NECESSIDADES COMO ESPAÇO PÚBLICO
A Tapada das Necessidades, localizada na freguesia da Estrela, em Lisboa, é um espaço classificado de
Interesse Público desde 1983, cujos 10 hectares são propriedade do Estado e são compostos por população
arbórea extensa e rara, bem como por edifícios com valor histórico e patrimonial. Tendo passado por várias
Abrir texto oficial