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Grupo Parlamentar
PROJETO DE RESOLUÇÃO Nº 1307/XIV/2ª
DISTRIBUIÇÃO GRATUITA DE PRODUTOS DE SAÚDE MENSTRUAL
No dia 28 de maio assinala-se o Dia Internacional da Saúde da Mulher, um dia de luta pela
igualdade de acesso aos cuidados de saúde entre homens e mulheres e de luta pela
promoção da saúde das mulheres.
É um dia que pretende dar visibilidade a aspetos da saúde da mulher que ainda continuam
a ser considerados tabu. A Saúde Menstrual é um desses aspetos. Ela é um direito, mas
ainda é um privilégio aceder aos produtos de recolha menstrual.
Em média, as mulheres passam 2.535 dias da sua vida a menstruar. É sabido também que
as mulheres são mais vulneráveis à pobreza e exclusão social. A falta de acesso a bens de
necessidade básica como os produtos de saúde menstrual concorrem para o
aprofundamento dessa exclusão.
O acesso a produtos de saúde menstrual é muitas vezes dificultado pelo preço dos mesmos
e também pela vergonha de se falar abertamente sobre menstruação, o que traz
consequências psicológicas, sociais e de saúde. Consequências essas que acarretam
consequências na vida das mulheres, bem como no orçamento das mesmas.
Psicológicas porque é uma situação que afeta dimensões como a autoimagem e
autoestima; sociais porque pode levar a situações de exclusão, de faltas à escola e ao
trabalho, de perda de socialização (segundo a UNICEF 1 em cada 10 meninas não
frequenta a escola durante a menstruação); de saúde porque a impossibilidade de realizar
uma correta recolha menstrual potencia o aparecimento de infeções, alergias, fungos e
doenças.
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Essas doenças constituem mais gasto orçamental, uma vez que potenciam a necessidade
de ajuda médica e de medicação com o intuito de combater doenças uterinas e urinárias
que se podem desenvolver com o uso errado dos produtos de saúde menstrual ou com o
uso de produtos não adequados para o fim.
Em maio de 2020, a organização Plan International revelou que milhões de mulheres em
todo o mundo se confrontam com a escassez de produtos de saúde menstrual, aumento
de preços e preconceito em relação à menstruação. E a situação piorou com a pandemia
de covid-19. Cerca de três quartos dos profissionais de saúde em 30 países inquiridos, do
Quénia à Austrália, relatam escassez de produtos de saúde menstrual, e 58% queixam-se
de preços elevados ou proibitivos.
Em Inglaterra, associações sem fins lucrativos fazem voluntariamente a distribuição dos
produtos de saúde menstrual. Segundo os dados de uma dessas associações (a Bloody
Good Period), de 500 pacotes de pensos que eram distribuídos mensalmente, passou-se,
por efeito da crise pandémica, à distribuição de 7500 pacotes por mês.
No início do ano de 2020, a Escócia tornou-se o primeiro país em todo o mundo a aprovar
legislação que garante a distribuição gratuita de produtos de recolha menstrual, com o
objetivo de combater a pobreza menstrual. Na Escócia, os tampões e os pensos higiénicos
vão estar disponíveis em locais como centros comunitários, associações juvenis e
farmácias, num esforço para combater a pobreza menstrual que afeta e impacta a vida, a
saúde e o dia a dia de muitas mulheres.
Já em 2018, a Escócia tinha sido o primeiro país a disponibilizar de forma gratuita
produtos de saúde menstrual em escolas e universidades, uma vez que, cerca de 10% das
adolescentes não conseguiam comprar produtos menstruais, segundo uma sondagem
feita em 2017 pela organização Plan International.
Mais recentemente, também a Nova Zelândia deu um passo no sentido de combater a
pobreza menstrual e, a partir de junho de 2021, todas as escolas da Nova Zelândia vão
oferecer produtos menstruais às alunas. Esta medida veio na sequência da informação
que dava conta que 1 em cada 12 jovens neozelandesas faltavam à escola durante a
menstruação.
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Noutros países, nomeadamente em Inglaterra e no Canadá, existe igualmente o
entendimento de que produtos de recolha menstrual são bens essenciais de saúde que
devem ser assegurados, sendo inclusivamente distribuídos gratuitamente nas escolas da
Nova Escócia e Inglaterra.
Também em Portugal, o Bloco de Esquerda entende que é necessário estudar e entender
a realidade existente. Não existem, em Portugal, dados públicos sobre o impacto dos
preços destes produtos e de que forma é que a menstruação afeta a vida das jovens, quer
a nível escolar e profissional, mediante a classe social.
Em Portugal, o Orçamento do Estado para 2020 estipulava, no seu artigo 265.º, que o
Governo deveria promover “medidas de reforço do acesso a bens de higiene pessoal
feminina, bem como de divulgação e esclarecimento sobre tipologias, indicações,
contraindicações e condições de utilização”. No entanto, o ano de 2020 passou e nada
aconteceu. O Bloco de Esquerda apresentou uma iniciativa que explicitava de que forma
o reforço do acesso a produtos de saúde menstrual poderia acontecer, mas essa iniciativa
acabou rejeitada pelos votos contra do PS e do CDS e pela abstenção do PSD, Chega e
Iniciativa Liberal.
O não cumprimento do OE2020 e a rejeição da proposta do Bloco de Esquerda não
apagaram o problema, pelo contrário, apenas o adensaram e tornaram mais urgentes as
respostas para a sua solução.
Em Portugal não existe qualquer tipo de estudo sobre a pobreza menstrual, nem das
formas que as mulheres arranjam para combater a falta de acesso aos produtos de recolha
menstrual. Não há números concretos de quantas mulheres não conseguem adquirir os
bens, nem que produtos usam quando não os conseguem adquirir. O facto de o IVA destes
produtos ter sido diminuído, não faz com que estes sejam acessíveis a todas as mulheres,
nem é uma medida que ajude a colmatar o que é a realidade da pobreza menstrual.
Além do mais, existem diferentes realidades em todo o país e todas elas deverão de ser
cuidadosamente analisadas. A mulheres sem abrigo, num exemplo concreto, dependem
de instituições e estas dependem de doações que nem sempre chegam, bem como as
mulheres em instituições prisionais, que têm de adquirir os produtos dentro dessas
mesmas instituições, tendo as famílias, muitas vezes em situações precárias, que pagar
todos os meses por esses produtos, sendo os valores inflacionados.
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A menstruação não é uma escolha, nem a pobreza menstrual existente o é.
A apresentação e a aprovação da presente iniciativa legislativa são uma questão de justiça
e equidade para milhares de mulheres; é uma iniciativa para que Portugal possa seguir o
exemplo de países que escolheram o combate à pobreza menstrual.
Propõe-se, assim, que o reforço do acesso a produtos de recolha menstrual se faça através
da sua distribuição gratuita em centros de saúde e em escolas, nomeadamente através de
ações informativas levadas a cabo pelas Unidades de Cuidados na Comunidade e pela
Saúde Escolar. É também nestes espaços e momentos que devem ser desenvolvidas ações
de informação e esclarecimento sobre a utilização e variedade destes mesmos produtos.
Propõe-se ainda o desenvolvimento de respostas específicas para a população reclusa e
populações em situação de exclusão social, assim como o desenvolvimento de um estudo
sobre a realidade da pobreza menstrual.
Ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do
Bloco de Esquerda propõe que a Assembleia da República recomende ao Governo que:
1. Reforce o acesso a produtos de recolha menstrual através da sua distribuição
gratuita em centros de saúde e em escolas.
2. Implemente ainda medidas para garantir o acesso a estes mesmos produtos a
população reclusa e populações mais excluídas socialmente e que, por via dessa
exclusão, têm menor contato com as estruturas públicas de saúde.
3. Promova, nomeadamente no âmbito de ações desenvolvidas pelas Unidades de
Cuidados na Comunidade e pela Saúde Escolar, ações de informação e
esclarecimentos sobre o ciclo menstrual e sobre a utilização e variedade dos
produtos de recolha menstrual.
4. Elabore um estudo a nível nacional, em escolas, universidades e locais de trabalho
com o objetivo de entender os impactos causados pelos preços praticados nos
produtos de saúde menstrual.
Assembleia da República, 28 de maio de 2021.
As Deputadas e os Deputados do Bloco de Esquerda,
Assembleia da República - Palácio de S. Bento - 1249-068 Lisboa - Telefone: 21 391 7592 - Fax: 21 391 7459
Email: bloco.esquerda@be.parlamento.pt - http://parlamento.bloco.org/
Moisés Ferreira; Jorge Costa; Mariana Mortágua; Alexandra Vieira; Beatriz Dias;
Diana Santos; Fabian Figueiredo; Fabíola Cardoso; Isabel Pires; Joana Mortágua;
João Vasconcelos; José Manuel Pureza; José Maria Cardoso; José Soeiro;
Luís Monteiro; Maria Manuel Rola; Nelson Peralta; Ricardo Vicente; Catarina Martins
---
Publicação — DAR II série A — 32-34 — 28/05/2021
II SÉRIE-A — NÚMERO 143
(CE) n.º 854/2004, de 29 de abril;
7 – Garanta o aumento da frequência e abrangência das ações de fiscalização no âmbito da apanha de
moluscos bivalves no estuário do Tejo, de maneira a combater com maior eficácia os abusos e exploração
laboral, as irregularidades habitacionais e os problemas ambientais associados à atividade.
Assembleia da República, 28 de maio de 2021.
As Deputadas e os Deputados do BE: Ricardo Vicente — Maria Manuel Rola — Joana Mortágua — Diana
Santos — Jorge Costa — Mariana Mortágua — Alexandra Vieira — Beatriz Gomes Dias — Fabian Figueiredo
— Fabíola Cardoso — Isabel Pires — João Vasconcelos — José Manuel Pureza — José Maria Cardoso — José
Moura Soeiro — Luís Monteiro — Moisés Ferreira — Nelson Peralta — Catarina Martins.
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PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 1307/XIV/2.ª
DISTRIBUIÇÃO GRATUITA DE PRODUTOS DE SAÚDE MENSTRUAL
No dia 28 de maio assinala-se o Dia Internacional da Saúde da Mulher, um dia de luta pela igualdade de
acesso aos cuidados de saúde entre homens e mulheres e de luta pela promoção da saúde das mulheres.
É um dia que pretende dar visibilidade a aspetos da saúde da mulher que ainda continuam a ser considerados
tabu. A saúde menstrual é um desses aspetos. Ela é um direito, mas ainda é um privilégio aceder aos produtos
de recolha menstrual.
Em média, as mulheres passam 2535 dias da sua vida a menstruar. É sabido também que as mulheres são
mais vulneráveis à pobreza e exclusão social. A falta de acesso a bens de necessidade básica como os produtos
de saúde menstrual concorrem para o aprofundamento dessa exclusão.
O acesso a produtos de saúde menstrual é muitas vezes dificultado pelo preço dos mesmos e também pela
vergonha de se falar abertamente sobre menstruação, o que traz consequências psicológicas, sociais e de
saúde. Consequências essas que acarretam consequências na vida das mulheres, bem como no orçamento
das mesmas.
Psicológicas porque é uma situação que afeta dimensões como a autoimagem e autoestima; sociais porque
pode levar a situações de exclusão, de faltas à escola e ao trabalho, de perda de socialização (segundo a
UNICEF 1 em cada 10 meninas não frequenta a escola durante a menstruação); de saúde porque a
impossibilidade de realizar uma correta recolha menstrual potencia o aparecimento de infeções, alergias, fungos
e doenças.
Essas doenças constituem mais gasto orçamental, uma vez que potenciam a necessidade de ajuda médica
e de medicação com o intuito de combater doenças uterinas e urinárias que se podem desenvolver com o uso
errado dos produtos de saúde menstrual ou com o uso de produtos não adequados para o fim.
Em maio de 2020, a organização Plan International revelou que milhões de mulheres em todo o mundo se
confrontam com a escassez de produtos de saúde menstrual, aumento de preços e preconceito em relação à
menstruação. E a situação piorou com a pandemia de COVID-19. Cerca de três quartos dos profissionais de
saúde em 30 países inquiridos, do Quénia à Austrália, relatam escassez de produtos de saúde menstrual, e 58%
queixam-se de preços elevados ou proibitivos.
Em Inglaterra, associações sem fins lucrativos fazem voluntariamente a distribuição dos produtos de saúde
menstrual. Segundo os dados de uma dessas associações (a Bloody Good Period), de 500 pacotes de pensos
que eram distribuídos mensalmente, passou-se, por efeito da crise pandémica, à distribuição de 7500 pacotes
por mês.
No início do ano de 2020, a Escócia tornou-se o primeiro país em todo o mundo a aprovar legislação que
garante a distribuição gratuita de produtos de recolha menstrual, com o objetivo de combater a pobreza
menstrual. Na Escócia, os tampões e os pensos higiénicos vão estar disponíveis em locais como centros
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Votação na generalidade — DAR I série — 45-45 — 19/06/2021
19 DE JUNHO DE 2021
Segue-se a votação, na generalidade, do Projeto de Resolução n.º 1257/XIV/2.ª (PAN) — Recomenda ao
Governo que diligencie no sentido de a menstruação não ser uma forma de discriminação, de desvantagem
económica e ambiental.
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do BE, do PCP, do PAN, do PEV, do IL e das
Deputadas não inscritas Cristina Rodrigues e Joacine Katar Moreira e abstenções do PS, do PSD, do CDS-PP
e do CH.
Procedemos, agora, à votação, na generalidade, do Projeto de Resolução n.º 1307/XIV/2.ª (BE) —
Distribuição gratuita de produtos de saúde menstrual.
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PS, do BE, do PCP, do PAN, do PEV, do IL e das
Deputadas não inscritas Cristina Rodrigues e Joacine Katar Moreira e abstenções do PSD, do CDS-PP e do
CH.
Este diploma baixa à 9.ª Comissão, tal como os projetos de lei anteriores relativos à mesma temática.
Sr.ª Deputada Elza Pais, pediu a palavra para que efeito?
A Sr.ª Elza Pais (PS): — Sr. Presidente, relativamente a estes projetos de lei, eu e as Sr.as Deputadas Susana
Amador, Susana Correia, Sara Velez, Cristina Mendes da Silva, Sílvia Torres e Martina Jesus, pretendemos
fazer uma declaração de voto.
O Sr. Presidente: — Uma declaração de voto escrita?
A Sr.ª Elza Pais (PS): — Sim, Sr. Presidente.
O Sr. Presidente: — Muito bem, fica registado.
Srs. Deputados, segue-se a votação do Projeto de Resolução n.º 1301/XIV/2.ª (PS) — Proteção dos direitos
humanos e a política externa da União Europeia em matéria de migração.
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PS, do PSD, do BE, do PCP, do PAN, do PEV, do
IL e das Deputadas não inscritas Cristina Rodrigues e Joacine Katar Moreira e votos contra do CDS-PP e do
CH.
Vamos proceder à votação do Projeto de Resolução n.º 1310/XIV/2.ª (Deputada não inscrita Joacine Katar
Moreira) — Por uma política de migração que garanta a proteção efetiva de migrantes da União Europeia, o
cumprimento dos direitos humanos e a salvaguarda da intervenção humanitária de salvamento de náufragos.
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD, do CDS-PP e do CH, votos a favor do BE, do
PCP, do PAN, do PEV e das Deputadas não inscritas Cristina Rodrigues e Joacine Katar Moreira e abstenções
do PS e do IL.
Vamos votar o Projeto de Resolução n.º 787/XIV/2.ª (BE) — Promove a formação profissional e o combate à
precariedade no setor da pesca.
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PS, votos a favor do BE, do CH, do IL e da Deputada
não inscrita Joacine Katar Moreira e abstenções do PSD, do PCP, do CDS-PP, do PAN, do PEV e da Deputada
não inscrita Cristina Rodrigues.
Segue-se a votação do Projeto de Resolução n.º 1272/XIV/2.ª (Deputada não inscrita Cristina Rodrigues) —
Recomenda ao Governo a definição do perfil do conservador-restaurador garantindo a salvaguarda do
património cultural.
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