Projeto de Resolução n.º 1257/XIV/2.º
Recomenda ao Governo que diligencie no sentido da menstruação não ser
uma forma de discriminação, de desvantagem económica e ambiental
Exposição de Motivos
A pobreza afeta diretamente, em todo o mundo, milhões de mulheres, raparigas e
pessoas trans, que são obrigadas a viver com dificuldade no acesso a produtos de
higiene, para além do preconceito ou a falta de acesso a água e saneamento, que
assegurem a sua higiene.
Os elevados custos com a aquisição destes produtos, dificultam o acesso aos mesmos.
Os gastos mensais com os produtos de higiene menstrual, são, em média, de nove euros
e meio por mês para adquirir produtos de higiene, o que significa, aproximada mente,
cinco mil euros ao longo da vida.
Por sua vez, a escassez destes produtos, aliada à debilidade das opções a que estas
pessoas se vêem forçadas a recorrer, tem também impacto na saúde, qualidade de vida
e oportunidades de acesso à educação e até ao emprego, a par dos problemas sociais
e culturais muitas das vezes associados.
A esta problemática conhecida como “pobreza menstrual”, acrescem os fatores
biológicos, como as dores menstruais, muitas vezes incapacitantes, sendo que quem
as sofre de forma persistente aprendeu a normalizá-las, não procurando ajuda médica.
Quando a menstruação provoca este tipo de dores debilitantes, há condicionantes na
sua assiduidade à escola e ao trabalho, muitas vezes com sentimento de culpa por
faltarem, limitando asua ação e contributo para a economia e desenvolvimento dos seus
papéis sociais. A menstruação precisa de ser encarada como algo natural e sobre a qual
se fale sem tabus.
Com uma maior literacia fisiológica, social, financeira e ambiental, surge a necessidade
de ter em conta o impacto da aquisição de produtos menstruais, seja ao nível da saúde,
seja ao nível financeiro. Ao mesmo tempo, e como forma de mitigar a dificuldade de
acesso a estes produtos, bem como a pegada ecológica dos mesmos, importa garantir
o acesso de todas as pessoas a estes bens, nomeadamente dos reutilizáveis.
De acordo com os estudo existentes, cada pessoa que menstrua usa, durante a vida,
cerca de 15 mil descartáveis menstruais 1.Os absorventes menstruais mais comuns no
mercado são um a fonte prolífica de plástico. Os tampões são embalados em plástico,
envoltos em aplicadores de plástico, com fios também de plástico e muitos incluem até
uma camada fina de plástico na parte absorvente. Os pensos higiénicos têm geralmente
ainda mais plást ico, desde as bases à prova de fugas aos elementos sintéticos que
garantem a absorção.
Muitas vezes esses produtos são descartados incorretamente e, ao sê -lo, os
microplásticos neles presentes vão parar aos meios hídricos através dos sistemas de
saneamento, uma vez que estes não conseguem filtrar estas micro ou nano partículas.
Está cientificamente demonstrado em diversos estudos que os microplásticos contêm
disruptores endócrinos químicos, considerados pela Organização Mundial de Saúde
como causadores d e problemas de fertilidade, de aumento da incidência de cancro
mamário, de desenvolvimento cognitivo tardio em crianças e jovens, entre outros
problemas.
Neste cenário, estima-se que a União Europeia seja responsável pela produção de 25
milhões de toneladas de resíduos de plástico, sendo que menos de 30% são reciclados,
pelo que se calcula que 150 a 500 mil toneladas vão parar aos oceanos. Procurando
fazer face a este problema ambiental, o Parlamento Europeu aprovou em 2018 a
Estratégia Europeia para os Pl ásticos na Economia Circular. Nesta estratégia, um dos
objetivos é restringir a utilização de microplásticos nos produtos ”. Para Ann Borowski,
que investigou os impactos ecológicos destes produtos de higiene 2, os números são
avassaladores e levou a que deixasse o seguinte apelo: “
“Eu não quero contribuir com 40 anos de lixo para um aterro sanitário, apenas
para gerir algo que nem deveria ser encarado como um problema. Creio que já
devíamos ter algum tipo de controlo sobre esta situação. Não quero deixar este
fardo no planeta.”3
1 https://www.natgeo.pt/meio-ambiente/2019/09/tampoes-pensos-higienicos-e-sustentabilidade
2 https://scholarworks.rit.edu/theses/544/
3 https://www.natgeo.pt/meio-ambiente/2019/09/tampoes-pensos-higienicos-e-sustentabilidade
Recentemente, o projeto #TodasMerecemos4, que integra a Associação e Organização
Não-Governamental para o Desenvolvimento (ONGD), Corações Com Coroa (CCC) 5,
com o objetivo de defender e promover a vivência baseada em direitos e a
sustentabilidade da vida menstrual, incluindo o direito à saúde, à educação, à igualdade
no trabalho e à participação nos esforços de desenvolvimento sustentável, desenvolveu
uma campanha solidária que visa apoiar pessoas em situações de vulnerabilidade. A
campanha procura promover um maior acesso a produtos de higiene menstrual mais
saudáveis, duradouros e ecológicos, desenvolvendo também iniciativas específicas de
informação e educação por agentes culturais e docentes, transversais a todos os
públicos. Foram necessários apenas oito dias após o lançamento da “Carta Aberta por
Quem Menstrua”6 no passado dia 25 de abril, para ser atingida o marco de cerca 6.000
Subscritoras(es)7, o que denota um forte envolvimento por parte da sociedade civil nesta
causa.
Não obstante, em matéria de políticas públicas, é notória a necessidade de medidas
legislativas que proíbam a inclusão de materiais tóxicos e poluentes na composição de
descartáveis menstruais. É urgente facilitar o acesso a produtos mais ecológicos e
sustentáveis, contribuindo, assim, não só para a concretização de objetivos
comunicados pela atual presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia, como
para a poluição zero, para o combate à ação climática e a promoção da economia
circular. Seria igualmente uma forma de ir ao encontro do disposto na Agenda 2030 das
Nações Unidas, com destaque para os objetivos 1, 3, 5 e 10, referentes à erradicação
da pobreza, à saúde de qualidade, à igualdade de género e à redução das
desigualdades, respetivamente.
Por fim, não podemos deixar de referir, que, desde 2015 que o PAN defende esta
mudança, mediante a proposta de distribuição gratuita de copos menstruais em
consultas de planeamento familiar nos centros de saúde. Uma medida que constava do
Programa Eleitora l às Eleições Legislativas 2015 8, que teve continuidade em 2019 9.
4 https://www.instagram.com/todasmerecemos/
5 https://www.coracoescomcoroa.org/
6 https://drive.google.com/file/d/1VoyDL2yNIWqmGdqv-4Y7gxjUkeRERWuR/view
7 https://docs.google.com/spreadsheets/d/1KmZNrPM575UVrb0W5PPp5OR5etGWwWf7_hfeyAZM_F0/
8 https://drive.google.com/file/d/1mDWRi4gx1rgkfC1Dmm3zFgzBossruXEp/
9 https://pan.com.pt/files/uploads/2019/09/ProgramaPAN_Impressao_Legislastivas2019.pdf
Inclusivamente, por proposta do PAN no Orçamento de Estado de 201610, foi aprovada
a redução do IVA de 23% para 6% dos copos menstruais11.
Nestes termos, e ao abrigo das disposições constitu cionais e regimentais
aplicáveis, as Deputadas e o Deputado do PAN abaixo assinados, propõem
que a Assembleia da República recomende ao Governo que:
1. Crie um programa que disponibilize gratuitamente, através do Serviço Nacional
de Saúde, e mediante solicit ação do utente, o acesso gratuito a produtos
menstruais reutilizáveis;
2. Articule com os contextos educativos a realização de campanhas de
sensibilização e informação sobre a menstruação nestes contextos, assim como
garanta uma abordagem integrada nos curr ículos escolares, garantindo uma
maior compreensão da amplitude do assunto;
3. Desenvolva campanhas de sensibilização e informação, coordenadas com os
gabinetes de medicina do trabalho, sobre os constrangimentos e a dimensão da
dor física relacionada com a me nstruação, destinada aos órgãos dirigentes e
recursos humanos das instituições, com vista a garantir a não discriminação
laboral.
Assembleia da República, Palácio de São Bento, 06 de Maio de 2021
As Deputadas e o Deputado,
André Silva
Bebiana Cunha
Inês de Sousa Real
10 https://dre.pt/web/guest/pesquisa/-/search/73958532/details
11 https://www.parlamento.pt/OrcamentoEstado/Paginas/DetalhePropostaAlteracao.aspx?BID=9334
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Publicação — DAR II série A — 06/05/2021
Quinta-feira, 6 de maio de 2021 II Série-A — Número 127
XIV LEGISLATURA 2.ª SESSÃO LEGISLATIVA (2020-2021)
S U M Á R I O
Resolução: (a) Recomenda ao Governo a adoção e reforço de medidas de combate à pobreza energética. Projetos de Resolução (n.os 1252 a 1257/XIV/2.ª): N.º 1252/XIV/2.ª (BE) — Pela melhoria do estado de conservação das plantas selvagens autóctones do território português. N.º 1253/XIV/2.ª (PEV) — Visa a salvaguarda da Quinta dos Ingleses como espaço patrimonial e de regulação climática. N.º 1254/XIV/2.ª (PCP) — Pela beneficiação, valorização e
dignificação do Museu Regional Rainha Dona Leonor. N.º 1255/XIV/2.ª (PCP) — Pela criação da Administração dos Portos do Algarve, integrando todos os portos comerciais, de pesca e de recreio da região algarvia. N.º 1256/XIV/2.ª (PEV) — Concretização de um registo nacional da diabetes tipo 1. N.º 1257/XIV/2.ª (PAN) — Recomenda ao Governo que diligencie no sentido da menstruação não ser uma forma de discriminação, de desvantagem económica e ambiental. (a) Publicada em Suplemento.
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Votação na generalidade — DAR I série — 45-45 — 19/06/2021
19 DE JUNHO DE 2021
Segue-se a votação, na generalidade, do Projeto de Resolução n.º 1257/XIV/2.ª (PAN) — Recomenda ao
Governo que diligencie no sentido de a menstruação não ser uma forma de discriminação, de desvantagem
económica e ambiental.
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do BE, do PCP, do PAN, do PEV, do IL e das
Deputadas não inscritas Cristina Rodrigues e Joacine Katar Moreira e abstenções do PS, do PSD, do CDS-PP
e do CH.
Procedemos, agora, à votação, na generalidade, do Projeto de Resolução n.º 1307/XIV/2.ª (BE) —
Distribuição gratuita de produtos de saúde menstrual.
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PS, do BE, do PCP, do PAN, do PEV, do IL e das
Deputadas não inscritas Cristina Rodrigues e Joacine Katar Moreira e abstenções do PSD, do CDS-PP e do
CH.
Este diploma baixa à 9.ª Comissão, tal como os projetos de lei anteriores relativos à mesma temática.
Sr.ª Deputada Elza Pais, pediu a palavra para que efeito?
A Sr.ª Elza Pais (PS): — Sr. Presidente, relativamente a estes projetos de lei, eu e as Sr.as Deputadas Susana
Amador, Susana Correia, Sara Velez, Cristina Mendes da Silva, Sílvia Torres e Martina Jesus, pretendemos
fazer uma declaração de voto.
O Sr. Presidente: — Uma declaração de voto escrita?
A Sr.ª Elza Pais (PS): — Sim, Sr. Presidente.
O Sr. Presidente: — Muito bem, fica registado.
Srs. Deputados, segue-se a votação do Projeto de Resolução n.º 1301/XIV/2.ª (PS) — Proteção dos direitos
humanos e a política externa da União Europeia em matéria de migração.
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PS, do PSD, do BE, do PCP, do PAN, do PEV, do
IL e das Deputadas não inscritas Cristina Rodrigues e Joacine Katar Moreira e votos contra do CDS-PP e do
CH.
Vamos proceder à votação do Projeto de Resolução n.º 1310/XIV/2.ª (Deputada não inscrita Joacine Katar
Moreira) — Por uma política de migração que garanta a proteção efetiva de migrantes da União Europeia, o
cumprimento dos direitos humanos e a salvaguarda da intervenção humanitária de salvamento de náufragos.
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD, do CDS-PP e do CH, votos a favor do BE, do
PCP, do PAN, do PEV e das Deputadas não inscritas Cristina Rodrigues e Joacine Katar Moreira e abstenções
do PS e do IL.
Vamos votar o Projeto de Resolução n.º 787/XIV/2.ª (BE) — Promove a formação profissional e o combate à
precariedade no setor da pesca.
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PS, votos a favor do BE, do CH, do IL e da Deputada
não inscrita Joacine Katar Moreira e abstenções do PSD, do PCP, do CDS-PP, do PAN, do PEV e da Deputada
não inscrita Cristina Rodrigues.
Segue-se a votação do Projeto de Resolução n.º 1272/XIV/2.ª (Deputada não inscrita Cristina Rodrigues) —
Recomenda ao Governo a definição do perfil do conservador-restaurador garantindo a salvaguarda do
património cultural.
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Votação final global — DAR I série — 60-61 — 20/11/2021
I SÉRIE — NÚMERO 26
em Sesimbra, 1134/XIV/2.ª (CDS-PP) — Recomenda ao Governo a construção de um novo centro de saúde na
Quinta do Conde, Sesimbra, 1120/XIV/2.ª (PSD) — Recomenda ao Governo a construção de um novo centro
de saúde na Quinta do Conde, concelho de Sesimbra, 1127/XIV/2.ª (Deputada não inscrita Cristina Rodrigues)
— Construção de um novo centro de saúde e serviço de urgência básica na Quinta do Conde, 1212/XIV/2.ª
(PCP) — Recomenda ao Governo a construção de um novo centro de saúde na Quinta do Conde, concelho de
Sesimbra, e 1231/XIV/2.ª (PEV) — Construção de um novo centro de saúde na freguesia da Quinta do Conde,
no concelho de Sesimbra.
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PSD, do BE, do PCP, do CDS-PP, do PAN, do
PEV, do IL e das Deputadas não inscritas Cristina Rodrigues e Joacine Katar Moreira e a abstenção do PS.
Passamos à votação, em votação final global, do texto final, apresentado pela Comissão de Saúde, relativo
aos Projetos de Resolução n.os 172/XIV/1.ª (PCP) — Construção de Unidade de Saúde do Alto do Seixalinho,
no concelho do Barreiro, 215/XIV/1.ª (BE) — Construção de uma nova unidade de saúde no Alto Seixalinho, no
concelho do Barreiro e a atribuição de médico de família a todos os utentes, 277/XIV/1.ª (PEV) — Por um novo
centro de saúde no Alto Seixalinho, no Barreiro, e 411/XIV/1.ª (PAN) — Pela construção do novo centro de
saúde no Alto Seixalinho, no Barreiro.
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade, registando-se a ausência do CH.
O Sr. Ivan Gonçalves (PS): — Sr. Presidente, peço a palavra.
O Sr. Presidente: — Sr. Deputado, pede a palavra para que efeito?
O Sr. Ivan Gonçalves (PS): — Sr. Presidente, queria anunciar que, em meu nome e em nome dos restantes Deputados eleitos pelo Partido Socialista no distrito de Setúbal, apresentaremos uma declaração de voto sobre
estas quatro votações.
O Sr. Presidente: — Fica registado, Sr. Deputado. Vamos votar, em votação final global, o texto final, apresentado pela Comissão de Saúde, relativo aos
Projetos de Resolução n.os 547/XIV/1.ª (CDS-PP) — Recomenda ao Governo a requalificação do pavilhão 5 do
Hospital Sousa Martins, 555/XIV/1.ª (PSD) — Recomenda ao Governo a requalificação do pavilhão 5 do Hospital
Sousa Martins, na Unidade Local de Saúde de Guarda, para instalação do departamento da saúde da criança e
da mulher, 595/XIV/1.ª (PS) — Recomenda ao Governo prioridade absoluta na conclusão do projeto de
requalificação do pavilhão 5 do Hospital Sousa Martins da Guarda para maternidade e departamento de saúde
da criança e da mulher, 609/XIV/1.ª (BE) — Requalificação do pavilhão 5 do hospital da Guarda e do pavilhão
Dona Amélia e 613/XIV/1.ª (PCP) — Recomenda a reconstrução imediata do pavilhão 5 do Hospital Sousa
Martins para instalação da área clínica materno-infantil (Guarda).
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade, registando-se a ausência do CH.
Votamos agora, em votação final global, o texto final, apresentado pela Comissão de Saúde, relativo aos
Projetos de Resolução n.os 1406/XIV/2.ª (PCP) — Pela construção urgente do novo edifício do Serviço de
urgência básica de Castro Verde e 1415/XIV/2.ª (BE) — Construção de um novo edifício para a instalação do
serviço de urgência básica de Castro Verde.
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade, registando-se a ausência do CH.
Vamos votar, em votação final global, o texto final, apresentado pela Comissão de Saúde, relativo aos
Projetos de Resolução n.os 1242/XIV/2.ª (Deputada não inscrita Cristina Rodrigues) — Recomenda ao Governo
medidas de combate à pobreza menstrual, 1257/XIV/2.ª (PAN) — Recomenda ao Governo que diligencie no
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