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Grupo Parlamentar
PROJETO DE RESOLUÇÃO Nº 1229/XIV/2ª
RECOMENDA AO GOVERNO QUE PROMOVA A EDUCAÇÃO PARA A
SEXUALIDADE NAS ESCOLAS
Contribuir para o desenvolvimento pessoal e social das crianças e dos jovens é uma das
responsabilidades da sociedade e da Escola. A promoção do desenvolvimento emocional
e a proteção dos direitos sexuais das crianças e dos jovens concorrem para esses
objetivos.
Nesse sentido, as emoções e a sexualidade estão contempladas nas áreas de competências
"relacionamento interpessoal", "desenvolvimento pessoal e autonomia" e "bem-estar,
saúde e ambiente" previstas no Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória
(2017). Porém, não estão garantidas todas as condições para que a educação sexual e
emocional seja uma realidade em todas as escolas.
A educação sexual, o planeamento familiar e o acesso à contraceção estão consignados em
Lei desde 1984: “O Estado garante o direito à educação sexual, como componente do
direito fundamental à educação.” (Lei n.º 3/84, de 24 de março). A implementação efetiva
desta lei, no entanto, conheceu obstáculos ao longo do tempo. Atualmente, a educação
sexual nos estabelecimentos do ensino básico e do ensino secundário, bem como as
respectivas orientações curriculares adequadas para os diferentes níveis de ensino, estão
definidas nos termos da Lei n.º 60/2009, de 6 de Agosto e regulamentadas pela Portaria
nº. 196-A/2010, de 9 de Abril.
Entretanto, como refere a Associação para o Planeamento da Família, a extinção em 2012
das áreas curriculares não disciplinares Formação Cívica, Área de Projeto e Estudo
Acompanhado “constitui uma barreira significativa à implementação não só da educação
sexual, mas das outras componentes do programa de educação para a saúde”. Sendo de
sublinhar que: “em muitas escolas, tem continuado a existir projetos de educação para a
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saúde, gabinetes de educação para a saúde e professores coordenadores de educação para
a saúde” (www.apf.pt/educacao-sexual).
É de salientar, neste âmbito, iniciativas regionais, como aquela que envolveu a ARSNorte,
que criou o programa PRESS (Programa Regional de Educação Sexual em Saúde Escolar),
para a implementação da educação sexual nas escolas de uma forma estruturada e
sustentada, envolvendo profissionais de saúde escolar e professores, em parceria coma a
DGEST.
Efetivamente o tema “Sexualidade (diversidade, direitos, saúde sexual e reprodutiva)”
está previsto para pelo menos dois ciclos do ensino básico, de acordo com a Estratégia
Nacional de Educação para a Cidadania (2017). No entanto, se é de valorizar o apelo à
sensibilidade das várias disciplinas para contemplar as questões da sexualidade, bem
como todas as questões em seu torno, como os afetos, a igualdade de género ou a violência
no namoro, a identidades de género e as diversas formas de exclusão, a falta de uma área
curricular obrigatória é prejudicial à efetiva promoção da Educação para a Sexualidade.
Até ao decreto lei 75 de 2018, em cada conselho de turma eram distribuídos 12 horas ou
16 tempos letivos pelas disciplinas, de acordo com as 4 grandes temáticas previstas na lei,
explanados num projeto e inscritos nos sumários. Com o advento da Educação para a
Cidadania, esta dinâmica foi interrompida e é o professor ou a professora de Cidadania
que aborda ou não os temas da Educação para a Sexualidade, pois depende do projeto de
Educação para a Cidadania existente definido para casa escola. Por esta razão, verifica-se
um retrocesso na abordagem desta temática e um abandono das dinâmicas e práticas
entretanto geradas.
É necessário, portanto, criar as melhores condições para que a Educação para a
Sexualidade seja efetiva, sempre adaptada a cada idade, e promovendo os respeito pela
igualdade de género, pela diversidade de orientações sexuais, e pela autodeterminação da
identidade de género consagrados na Constituição e na Lei, e na observância da lei que
continua em vigor.
Ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do
Bloco de Esquerda propõe que a Assembleia da República recomende ao Governo que:
1. Consagre um tempo curricular efetivo de educação para a sexualidade,
especificamente dedicado a estes temas, nos ensinos básico e secundário;
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2. Garanta oferta formativa em todo o território nacional para os e as docentes dos
ensinos básico e secundário, no âmbito da educação sexual.
3. Analise, avalie e recupere as boas práticas no âmbito da Educação para a
Sexualidade.
4. Promova e incentive as parcerias necessárias com quem no terreno faz ações de
sensibilização.
Assembleia da República, 26 de abril de 2021
As Deputadas e os Deputados do Bloco de Esquerda,
Joana Mortágua; Alexandra Vieira; Jorge Costa; Mariana Mortágua; Beatriz Dias;
Diana Santos; Fabíola Cardoso; Isabel Pires; João Vasconcelos; José Manuel Pureza;
José Maria Cardoso; José Soeiro; Luís Monteiro; Maria Manuel Rola; Moisés Ferreira;
Nelson Peralta; Ricardo Vicente; Catarina Martins
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Publicação — DAR II série A — 26/04/2021
Segunda-feira, 26 de abril de 2021 II Série-A — Número 122
XIV LEGISLATURA 2.ª SESSÃO LEGISLATIVA (2020-2021)
S U M Á R I O
Projetos de Lei (n.os 811 e 812/XIV/2.ª):
N.º 811/XIV/2.ª (PAN) — Regulamenta o teletrabalho no setor público e privado, cria o regime de trabalho flexível e reforça
os direitos dos trabalhadores em regime de trabalho à distância, procedendo à alteração do Código do Trabalho, da Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas e da Lei n.º
98/2009, de 4 de setembro.
N.º 812/XIV/2.ª (PSD) — Altera o regime jurídico-laboral do teletrabalho (décima nona alteração ao Código do Trabalho e primeira alteração da Lei n.º 98/2009, de 4 de setembro, que regulamenta o regime de reparação de acidentes de trabalho
e de doenças profissionais). Projetos de Resolução (n.os 1225 a 1229/XIV/2.ª):
N.º 1225/XIV/2.ª (PS) — Recomenda ao Governo a adoção
de um plano de dragagem para a região do Algarve.
N.º 1226/XIV/2.ª (PS) — Recomenda ao Governo a monitorização da resposta económica e social ao
ecossistema do vestuário, têxtil, calçado e moda no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência de Portugal e do Plano da Reindustrialização Europeia.
N.º 1227/XIV/2.ª (BE) — Recomenda ao Governo que proceda ao resgate para o Estado do Sistema Integrado para
a Rede de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP).
N.º 1228/XIV/2.ª (PAN) — Recomenda ao Governo que negoceie no quadro da Comissão Permanente de Concertação Social a criação de incentivo à adoção de mecanismos de trabalho à distância.
N.º 1229/XIV/2.ª (BE) — Recomenda ao Governo que promova a educação para a sexualidade nas escolas.
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Votação na generalidade — DAR I série — 78-78 — 07/05/2021
I SÉRIE — NÚMERO 63
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PSD, do BE, do PCP, do PAN, do PEV e das
Deputadas não inscritas Cristina Rodrigues e Joacine Katar Moreira, votos contra do PS, do CDS-PP e do CH
e abstenções do IL e dos Deputados do PS Eduardo Barroco de Melo e Miguel Matos.
O diploma baixa à 8.ª Comissão.
Vamos votar o Projeto de Resolução n.º 1088/XIV/2.ª (Deputada não inscrita Joacine Katar Moreira) — Por
uma educação para a sexualidade e para os afetos cujos conteúdos reforcem a promoção da igualdade de
género nas escolas, a luta contra a violência de género e os estereótipos e uma carga horária que reflita a sua
importância educativa.
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PS, do PSD, do CDS-PP e do CH, votos a favor do
BE e das Deputadas não inscritas Cristina Rodrigues e Joacine Katar Moreira e abstenções doPCP, do PAN,
do PEV, do IL e dos Deputados do PS Eduardo Barroco de Melo e Miguel Matos.
A Sr.ª Inês de Sousa Real (PAN): — Sr.ª Presidente, peço a palavra.
A Sr.ª Presidente (Edite Estrela): — Sr.ª Deputada, pede a palavra para que efeito?
A Sr.ª Inês de Sousa Real (PAN): — Sr.ª Presidente, queria anunciar que entregaremos uma declaração de voto escrita.
A Sr.ª Presidente (Edite Estrela): — Fica registado, Sr.ª Deputada. Vamos agora votar o Projeto de Resolução n.º 1229/XIV/2.ª (BE) — Recomenda ao Governo que promova a
educação para a sexualidade nas escolas.
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PS, do CDS-PP e do CH, votos a favor do BE, do
PCP, do PAN, do PEV, do IL e das Deputadas não inscritas Cristina Rodrigues e Joacine Katar Moreira e
abstenções do PSD e dos Deputados do PS Eduardo Barroco de Melo e Miguel Matos.
Passamos à votação do Projeto de Resolução n.º 1233/XIV/2.ª (PCP) — Pela efetiva implementação da
educação sexual transversal e interdisciplinar em meio escolar.
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PS, do CDS-PP e do CH, votos a favor do BE, do
PCP, do PEV e das Deputadas não inscritas Cristina Rodrigues e Joacine Katar Moreira e abstenções do PSD,
do PAN, do IL e dos Deputados do PS Eduardo Barroco de Melo e Miguel Matos.
O Sr. André Ventura (CH): — Sr.ª Presidente, peço a palavra.
A Sr.ª Presidente (Edite Estrela): — Sr. Deputado André Ventura, pede a palavra para que efeito?
O Sr. André Ventura (CH): — Sr.ª Presidente, queria anunciar que entregarei uma declaração de voto.
A Sr.ª Presidente (Edite Estrela): — Sr. Deputado Miguel Costa Matos, pede a palavra para que efeito?
O Sr. Miguel Matos (PS): — Sr.ª Presidente, queria também anunciar uma declaração de voto, em meu nome e em nome dos Deputados Maria Begonha, Eduardo Barroco de Melo, Filipe Pacheco e Joana Sá Pereira,
sobre estes últimos quatro projetos de resolução.
A Sr.ª Presidente (Edite Estrela): — Sr. Deputado, fica registado. Passamos, agora, à votação do Projeto de Resolução n.º 1181/XIV/2.ª (PCP) — Recomenda ao Governo a
revisão das carreiras profissionais da Polícia de Segurança Pública.
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