PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS
Grupo Parlamentar
Projeto de Resolução n.º 1044/XIV/2.ª
Processo de Modernização do Sector do Táxi
Exposição de motivos
Existe um amplo consenso nos principais agentes do Sector do Táxi – Associações de
Empresários, Organizações de Trabalhadores, Associações de Utentes e de Consumidores,
Autarquias Locais e IMT – sobre a necessidade e a vantagem de um vasto processo de
modernização do Sector do Táxi.
Esses consensos existem, nalguns casos, há mais de dez anos, e podem ser
encontrados nas atas e relatórios dos sucessivos grupos de trabalho ou comissões, criados
pelos sucessivos governos.
No entanto, a realidade é que a parte fundamental dessas medidas, mesmo quando
consensualizadas, nunca foram implementadas.
O PCP na Assembleia da República tem igualmente desenvolvido uma importante
intervenção, apresentando sucessivamente Projetos de Lei para a modernização do Sector,
que refletem muitos dos consensos alcançados. Nesse sentido, está apresentado já nesta
Legislatura o Projeto de Lei n.º 172/XIV/1, que aliás já mereceu parecer globalmente
positivo da DECO e da ANMP, com propostas de alteração que, em nosso entender,
merecem ser consideradas na fase de discussão na especialidade do mesmo.
A situação atual do Sector do Táxi é de profunda crise provocada pela pandemia e
pelas medidas adotadas para a combater. São necessárias medidas urgentes (que
abordamos noutra proposta de resolução), mas o impulso da concretização das medidas de
modernização do sector seria igualmente importante e teria um impacto positivo na
mitigação da atual crise.
Ora, tendo o Governo promovido um novo Grupo de Trabalho para a Modernização
do Sector do Táxi (de onde lamentavelmente excluiu as organizações representativas dos
trabalhadores do sector) e tendo este grupo consensos apurados, é urgente que o Governo
avance com as medidas legislativas e administrativas necessárias à implementação desse
processo de modernização; e que entretanto envie para a Assembleia da República as
conclusões e consensos apurados, por forma a permitir a sua intervenção e
acompanhamento ao Sector, no quadro das suas atribuições e competências.
Assim, tendo em consideração o acima exposto, ao abrigo da alínea b) do artigo 156.º
da Constituição da República e da alínea b) do número 1 do artigo 4.º do Regimento da
Assembleia da República, os Deputados abaixo assinados do Grupo Parlamentar do Partido
Comunista Português propõem que a Assembleia da República adote a seguinte
Resolução
A Assembleia da República, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição da
República, resolve recomendar ao Governo que concretize com urgência o conjunto de
medidas já consensualizadas no Grupo de Trabalho criado para a Modernização do Sector
do Táxi.
Assembleia da República, 04 de março de 2021.
Os Deputados,
BRUNO DIAS; JOÃO OLIVEIRA; ANTÓNIO FILIPE; PAULA SANTOS; DUARTE ALVES; JOÃO
DIAS; JERÓNIMO DE SOUSA; ALMA RIVERA; DIANA FERREIRA; ANA MESQUITA
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Publicação — DAR II série A — 39-40 — 04/03/2021
4 DE MARÇO DE 2021
Existe um velho e artificial diferendo entre o sector e a AT, que está a causar inúmeras dificuldades no
acesso a apoios por parte de muitas MPME. Tal prende-se com o facto de, apesar do sector estar isento de
IUC, por questões processuais da responsabilidade do IMT, a AT continuar a passar multas sucessivas ao
sector. Isto quando, já em junho de 2018, o IMT reconhecia que «A operacionalização da isenção do IUC –
que constitui uma medida Simplex da AT – está em fase de conclusão, dependendo somente da ligação
informática da Autoridade Tributária às bases de dados do IMT».
Face à quebra brutal na procura, muitos empresários e cooperativas usaram a prerrogativa legal de
suspender as licenças por um ano. Mas a pandemia está a chegar ao ano, e de acordo com a lei não se pode
manter as licenças suspensas por mais de um ano sem as perder. Faz falta um ato simples do governo, que
determine o alargamento deste período, excecionalmente, para os dois anos.
Estas questões aqui exemplificadas exigem, na maioria dos casos, um simples procedimento administrativo
do governo, e não se entende o atraso na sua concretização.
Assim, tendo em consideração o acima exposto, ao abrigo da alínea b) do artigo 156.º da Constituição da
República e da alínea b) do número 1 do artigo 4.º do Regimento da Assembleia da República, os Deputados
abaixo assinados do Grupo Parlamentar do Partido Comunista Português propõem que a Assembleia da
República adote a seguinte:
Resolução
A Assembleia da República, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição da República, resolve
recomendar ao Governo que adote com urgência um conjunto de medidas de apoio ao sector do táxi, face à
dimensão das consequências provocadas no mesmo pela pandemia de COVID-19, nomeadamente:
1 – Proceda a uma avaliação sobre o real acesso do sector ao conjunto de medidas adotadas para apoiar
a solvência das empresas e garantir os rendimentos dos trabalhadores, e concretize as medidas necessárias
para ultrapassar as situações onde esses apoios não chegaram;
2 – Introduza um sistema mais justo para a limitação do número de passageiros durante os
confinamentos, usando o princípio geral;
3 – Acabe com o absurdo de empresas estarem a ter dificuldades no acesso a medidas de apoio por
terem multas pelo não pagamento de IUC em operações isentas de IUC;
4 – Estenda o prazo limite para o depósito de licenças sem o risco de perda das mesmas.
Assembleia da República, 4 de março de 2021.
Os Deputados do PCP: Bruno Dias — João Oliveira — António Filipe — Paula Santos — Duarte Alves —
João Dias — Jerónimo de Sousa — Alma Rivera — Diana Ferreira — Ana Mesquita.
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PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 1044/XIV/2.ª
PROCESSO DE MODERNIZAÇÃO DO SECTOR DO TÁXI
Exposição de motivos
Existe um amplo consenso nos principais agentes do sector do táxi – Associações de Empresários,
Organizações de Trabalhadores, Associações de Utentes e de Consumidores, Autarquias Locais e IMT –
sobre a necessidade e a vantagem de um vasto processo de modernização do sector do táxi.
Esses consensos existem, nalguns casos, há mais de dez anos, e podem ser encontrados nas atas e
relatórios dos sucessivos grupos de trabalho ou comissões, criados pelos sucessivos Governos.